Ajudando enquanto se ensina

Ajudando enquanto se ensina

Meu amigo pediu pra trazer a mãe dele que tinha dores horrorosas de longa data no quadril devido a atrose. Fiquei um pouco preocupado por tratar-se da mãe e portanto haver um vínculo emocional dele com a paciente, mas…fazer o quê, né? Ossos do ofício. Vamo-que-vamo.

Final de tarde chega ela. Logo de cara me assusto vendo uma grande deformidade anatômica no joelho dela além de uma curvatura no angulo do fêmur com a tíbia (Angulo Q) enorme. Ela logo comenta que o ortopedista queria opera-la, mas ela recusou-se. Disse que tinha artropatia grave (que com certeza tinha só de olhar…não precisava de nenhum exame pra me dizer isso).

Continuei ouvido. Seguindo a diante ela comenta que já convive com as dores do joelho ha muitos anos mas não era isso o quê lhe incomodava mais agora. Pensei cá com meus botões…se isso não é o pior eu estou ferrado! srsrssrrsrsrs.

Ela comenta que ha uns dias estava sentada e quando foi levantar-se sentiu uma forte dor na região lombar esquerda que lhe ardia e era profunda. Sua maior dificuldade era ficar sentada e vira de lado quando estava deitada na cama.

Partindo para o exame físico ela sentia uma diminuição da amplitude de movimento na lateralizarão do tronco sugerindo um encurtamento do quadrado lombar esquerdo. Coloquei ela deitada na maca de lado e ao palpar o quadrado lombar ela já fez careta de quem está com dor.

Confirmei que essa era a dor que lhe incomodava e logo identifiquei uma dor miofascial no quadrado lombar.
Partindo para o agulhamento, meu amigo e aluno assustou-se com o tamanho da agulha de acupuntura (70mm). Localizei bem a região a ser agulhada, inseri a agulha até o ponto mais sensível e logo inicie eletroestimulação do músculo para desfazer os pontos gatilho.

Terminando a sessão peço para ela se levantar. Fez muita cara feia de dor pra se virar e sentar na maca, mas ao se sentar, pedindo pra ela fazer novamente a lateralizarão do tronco, ela sorriu e disse que já não sentia mais nada.

“Mas eu ainda sinto dor” ela disse

“Calma…vamos agora ao próximo músculo” disse eu.

Agora ela apontava para uma dor irradiando pela face lateral da coxa. Logo-logo me lembrei do padrão de irradiação da dor miofascial referida do músculo Glúteo mínimo.

Localizando pela palpação do músculo o ponto mais sensível, lá vou eu novamente com minha agulha de 70 mm fazer nova sessão de eletroestimulação percutânea afim de reverter essa dor miofascial. Após algumas estimuladas peço a ela mais uma vez para sentar-se e testar.

Desta vez ela se levanta sem cara de dor e logo que se senta na maca faz uma cara de espanto e surpresa.

“Ué…não tá doendo”

Ela se mexe de um lado, se mexe do outro como quem está procurando sentir algo que antes estava ali lhe incomodando. Cruza a perna…”antes eu não fazia isso”

Levanta-se da maca e com cara de quem não está entendendo nada comenta…”eu não tenho mais dor, mas eu ainda quero ver se vou sentir dor ao me sentar (que era o pior momento)”

Senta-se na cadeira feliz da vida e me olha com um sorriso de orelha-a-orelha e começa a agradecer.

Ver o sorriso de alívio dela e de seu filho (meu amigo, colega e aluno) é algo que não tenho como descrever; mas posso dizer que é o que me motiva a estudar cada vez mais e aprender cada vez mais.

Nunca me senti tão motivado na medicina quanto tenho me sentido dentro da Medicina Musculoesquelética.