Relação entre Médicos e Pacientes

Relação entre Médicos e Pacientes

Muitos médicos hoje em dia saem da faculdade sem saber examinar. Sabem muito bem qual exame pedir, qual medicamento prescrever mas não aprendem a encostar no paciente, na pessoa.

Justamente pelo fato de toda pessoa se transformar em um paciente, que eu acredito que faça como que o jovem médico perca a capacidade de enxerga-lo como um todo, como uma pessoa que tem sono, fome, pai, mãe, amigos, gostos, vontades, medos e etc.

Isso não tem importância para o jovem médico. A partir do momento que ele veste o jaleco (a capa do super-herói) e escuta uma queixa, a única coisa que lhe importa é rapidamente chegar ao diagnóstico. Quanto mais rápido, melhor ele é! Então começam a disparar como uma metralhadora zilhões de perguntas prontas; “foi aonde, como, a quanto tempo, e isso, e aquilo…sem dar tempo para a pessoa responder ou se quer comentar.

Em outras palavras, se a sua queixa não se enquadra no manual que o médico usou para aprender a fazer diagnósticos, então você não deve ter nada. “Tome aqui esse remedinho que você vai ficar bom” (nada mais é do que um cala-boca). Mas engana-se você se acha que ele faz assim por ter preguiça ou não gostar de você.

Grande parte dos recém formados sente uma grande angústia ao perceberem que o quê lhe ensinaram na faculdade nem sempre serve para a realidade a qual ele vive. Muitos nunca tiveram uma aula se quer sobre “a consulta”, sobre “empatia”, sobre “escuta qualificada”, sobre “abordagem em casos específicos”… Não aprenderam.

A faculdade de medicina está interessada em ensinar como fazer um diagnóstico de uma doença rara e essas são infinitas. Basta ter ocorrido um caso no mundo, já é considerada rara. O médico que sabe diagnosticar doenças raras é que é bom. Afinal de contas não é isso que o famoso Dr. House representa! Todos querem o glamour. Pra isso escolhem tratar da doença na pessoa. Poucos escolhem tratar da pessoa com uma doença.

Blockquote textEscutar é diferente de ouvir. Ver é diferente de olhar. Tocar é diferente de examinar.

A Medicina de Família é a especialidade da medicina cujo foco primordial é a pessoa. Essa pessoa pode eventualmente ficar doente, mas nem toda doença requer exames complementares ou medicamentos. As vezes uma cefaléia tensional (dor de cabeça) pode aliviar desabafando um problema ou angústia, as vezes uma insônia pode ser resolvida encontrando-se o motivo da ansiedade e assim por diante.

Portanto tema o médico que não tem tempo pra lhe escutar. É possível que ele não compreenda o motivo da sua consulta.