Sindromes Dolorosas

Sindromes Dolorosas

A dor é uma sensação sensorial ou emocional, desagradável associada a um dano tecidual real ou potencial

Essa é a definição clássica de dor. Pensando nisso e divagando sobre o assunto, pense no seguinte; quem já não sofreu com um coraçao partido? O “amor da sua vida” acabou de te dar um fora e te deixou chorando copiosamente. Quem já passou por isso sabe que é uma sensação desagradável…e muito. A angústia gerada incomoda até nao poder mais e inquieta qualquer um. Incomoda ainda mais por nao conseguirmos localizar aonde incomoda e nao termos um remédio para aliviar essa dor.

Pensando num contexto ainda pior, a dor de alguém que perde um parente querido ou um bichinho de estimação muito amado. Doi! Doi muito. Na medicina diz-se que não ha sofrimento maior do que uma mãe enterrar um filho. Que dor é essa? Tente descrevê-la. Tente localiza-la.

Por outro lado se eu prendi meu dedo com a porta do carro ao fecha-la, eu agora tenho um dedo vermelho, inchado, sensível e dolorido (se não estiver quebrado, pra piorar ainda mais as coisas). Essa dor todo mundo conhece e já sabe como resolver. Gelo, anti-inflamatórios, repouso e dentro de 1-2 semanas já estará melhorando.

Então classicamente a sociedade internacional para estudos da dor classifica as dores em 2 tipos de dor: Inflamatória e Neuropática.

Essa classificação pode soar simplistica de mais; um reumatologista britânico chamado Woolf propôs um novo sistema de classificação das dores aonde agora existem além das dores inflamatórias e neuropáticas, as dores nociceptivas e as funcionais (ou disfuncionais)

Dor Nociceptiva – é aquela que aonde um estímulo (térmico, tátil ou quimico) é aplicado em um neurônio e a informação é levada até o cérebro que vai interpretar esse estímulo em agradável, desagradável, perigoso ou inofencivo e então determinar uma reação. Exemplo: encostou a mão numa panela quente; enfiou o dedo na tomada e levou um choque; arrancou o esparadrapo e sentiu dor…ou seja, só doi se estimular os neuronios especializados em captar estímulos Nóxicos ou nocivos. São os neuronios nociceptivos.

Dor inflamatória – é aquela aonde os neuronios nociceptivos estao sensibilizados por diversas substancias (ex: prostaglandinas, histamina, bradcinina, substancia P, CGRP…). É o mesmo mecanismo da dor nociceptiva só que agora os mínimos estímulos provocam dor. Por exemplo uma unha encravada, uma crise de gota, a pele queimada de sol, e etc.

Dor Neuropática – ha algum defeito no sistema nervoso e agora temos como se nossos neuronios fossem fios desencapados. A sensibilidade está toda embaralhada. Posso sentir formigamento, dormencia, gelado, queimação, alfinetadas e assim por diante. Sao exemplos disso a neuropatia (doença do nervo) diabética, a hérnia de disco, a sind. do túnel do carpo e outras.

Dor Funcional – Não ha nada de errado com o sistema nervoso. Na verdade o problema está no sistema de inibição de dor que todos nós temos. Basta pensar num soldado ferido em batalha e nao sente nada; continua lutando. Só depois que a “adrenalina abaixa” é que ele vai se dar conta que está ferido e aí sim começa a sentir dor. Quem lhe permitiu continuar lutando para sobreviver foi a analgesia provocada pelo sistema inibitório da dor. Este é um sistema protetor do cérebro justamente para aumentar as chances de sobrevivencia. Em certas situaçoes o cérebro pode mandar liberar grandes quantidades de encefalinas (semelhantes à morfina) afim de lhe dar mais chances de sobreviver às ameaças. Nos casos de depressao, fibromialgia, sindrome do intestino irritável, temos um defeito neste sistema inibitório descendente. São pessoas mais susceptíveis à dor. Sentem mais com menos estímulos.

Por último temos uma dor pouco conhecida e pouco falada até mesmo entre os médicos. Ela não aparece em exames de imagem (nem mesmo na ressonancia magnetica) e nem em qualquer exame de sangue. Seu diagnóstico só pode ser feito pelo médico que em primeiro lugar, sabe reconhecer este tipo de dor e em segundo lugar, sabe diagnosticar. É a Dor Miofasial que acomete indivíduos de todas as idades, nao tem preferencia entre mulheres e homens, geralmente envolve um ou mais músculos e sua principal causa sao movimentos repetitivos, sobrecarga muscular ou má postura. O quê acontece é uma espécie de “Nó” no músculo que nao o permite relaxar. Esse músculo fica em permanente estado de encurtamento por uma fibra muscular que nao conseguiu se soltar. É o que chamamos de um Ponto Gatilho (“trigger point”) e que quando estimulado pela palpação reproduz a dor do paciente. O padrao de irradiaçao da dor é estranho. Nao tem relaçao com a anatomia e frequentemente a dor é distante do local apertado. Exemplo: dor miofascial no ombro pode ser sentida na tempora ou atras da orelha.

Escuto com muita frequencia meus pacientes dizerem que já fizeram todos os tipos de exames, já tomaram todos os tipos de remédios e já se consultaram com diversos especialistas e muitos chegaram até a propor cirurgia (quando nao acabam encaminhando para o psiquiatra dizendo que isso deve ser coisa da sua cabeça).

A dor é espontanea, não está relacionada a um movimento ou posição qualquer; ela é costuma ser referida como um peso, aperto ou pressão; pode ser descrita como uma dormencia ou simplesmente um incômodo mas que nada melhora. As vezes chega a tirar o sono à noite e com certeza já levou muitas pessoas ao pronto-socorro à toa (porque quase nenhum emergencista sabe o quê é e muito menos como se trata dor miofascial).

A melhor e mais eficaz forma de tratamento é com o que chamamos de “Agulhamento Seco” que nada mais é do que usar uma agulha de acupuntura (é a mais fina que existe hoje) para coloca-la no ponto gatilho do músculo envolvido.

É a principal causa de dor crônica de origem musculoesquelética no mundo e seu tratamento é eficaz em mais de 70-80% de todos os casos.

 

Cada tipo de dor requer um tipo de tratamento diferente. Não se trata dor neuropática com anti-inflamatórios. Então se você sofre com uma dor que até hoje não se resolveu, já tomou diversos remédios e nada melhorou, já fez milhares de exames e já passou na mao de muitos médicos, talvez você não tenha procurado o profissional certo.