Dr. Alexandre Fortes

Dr. Alexandre Fortes

Dr. Alexandre Fortes

Médico de Família
Autor do Curso Medicina MúsculoEsquelética

“Minha história começou na Equipe F da emergência do Hospital Municipal Miguel Couto no RJ (1999-2005) onde atuei como acadêmico por 3 anos e emergencista durante mais 3 anos. Nesse período além de fazer capacitacões como o ATLS e ACLS, tive a oportunidade de ensinar diversos acadêmicos sob minha supervisão à respeito das emergências clínicas mais comuns nos nossos plantões. Tive ainda a felicidade de publicar um livro sobre paradas cardio-respiratórias (“Sala de Emergência”) e ministrar diversas aulas para academicos de medicina no Hospital sobre o assunto.

Mais tarde, depois da residência de Medicina de Família (2006-08), fui convidado a escrever dois capítulos para o Caderno de Atenção Básica (CAB – edição numero 28, vol.2). Um sobre paradas cardíacas para urgências e emegências e outro sobre dor lombar aguda na APS (Atenção Primária à Saúde).

A partir deste trabalho fui convidado a ministrar uma oficina de Ortopedia Clínica para o MFC no Congresso Brasileiro em Brasília (2011) e Congresso Sul-Brasileiro de MFC em Florianopolis (2012). Nessas primeiras edições a oficina nada mais era do que uma revisão teórica das manobras semiológicas e bandeiras vermelhas nos problemas mais comuns na ortopedia clinica.

Escrevi o capítulo sobre Dor no Joelho para o Tratado de MFC e com ele vieram mais convites, mais congressos e novas oficinas.

Também em 2012, comecei a dar aula para os alunos de medicina da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina). Em 2014, numa parceria com fisioterapeutas, criamos um projeto piloto sobre os atendimentos em ortopedia clinica voltado para os MFC, entitulado “Ortopedia Clínica para MFC”. Nascia então a “versão 2.0” do curso.

A primeira turma de residentes de MFC foi capacitada neste mesmo ano e o projeto mais tarde recebeu o prêmio de 1º lugar no Concurso “Boas Práticas” em Florianópolis. Com este resultado surgiu a parceria com a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) para capacitar todos os MFC da APS de Florianópolis.

O projeto de Ortopedia Clinica para MFC ganhou tanta repercussão que fui convidado pela SMS do RJ para capcacitar os preceptores de MFC cariocas.

O curso recebeu a chancela do Sociedade Brasileira de Medicina de Família e Comunidade (SBMFC) e começou a ser estudado por outros MFC. Por diversas razões o título do curso mudou e passou a ser chamado de Medicina Musculoesquelética na APS.

Em 2015 o curso sofreu dramáticas modificações (pra melhor). Tive a felicidade de fazer parte de um outro curso em Florianópolis de 80h de “Introdução a Acupuntura para o MFC na APS”. Gostei e aproveitei ao máximo este curso. Mudou minha vida radicalmente. Esse curso me trouxe diversas reflexões à respeito de como fazendo as capacitações para os MFC na APS. Muitas idéias novas surgiram. Aprendi sobre dor miofascial e agulhamento de pontos gatilho. Fomos introduzidos ao uso terapêutico da agulha com explicação fundamentada na neurofisiologia. Depois eu fiquei super entusiasmado e comecei a pesquisar mais e mais sobre o assunto. Fui convidado para participar das reuniões de serviço da residência de acupuntura do HU. Lá meu aprendizado decolou. Conceitos como da Tensigridade, meridianos miofasciais, mecanismos de ação local, segmentar, extra-segmentar e central do agulhamento, e muito mais foram-me apresentados. Mais tarde,  aprendi sobre a centralização da dor e das dificuldades de se tratar dor crônica.

Aos poucos eu me vi tratando meus pacientes de forma diferente. Onde antes eu prescrevi anti-inflamatórios eu agora usava agulhas de acupuntura. Onde antes eu pedia exames de imagem, eu agora palpava a musculatura a procura de pontos gatilho. Comecei a prestar cada vez mais atenção na postura do paciente, pedia pra eles me mostrarem repetidamente o movimento que lhes incomodava (e com isso sem saber já estava estudando a biomecânica e cinesiologia da pessoa).

Minha vida mudou tão rápido e tão drasticamente que eu já não conseguia mais clinicar como antigamente. Impossível. Agora o desafio seria o de traçar o passo-a-passo que me levou aonde eu cheguei. Assim eu poderia traçar um “mapa” para ajudar os outros MFC a seguir o mesmo caminho.

Por conta da grande quantidade de conteúdo, foi necessário dividir o curso em etapas. Surgiram então os níveis 1 e 2. Como o aprendizado não acabar, os níveis podem se estender; Atualmente estamos elaborando o nível 3.

Hoje meu maior desafio está em definir as diretrizes norteadoras para um MFC na MME. Da mesma forma que eu não preciso ser um cardiologista para atender um hipertenso, nem um pediatra pra fazer uma consulta de puericultura eu também não preciso ser um ortopedista ou um reumatologista ou fisiatra ou acupunturistas para atender alguém com dor nas costas.

Nas minhas pesquisas, me deparei com “The Bone and Joint Decade”; uma iniciativa global para sensibilizar governos e nações da problemática da DME (dores músculoesqueléticas). Descobri ainda que em nenhum país do mundo é ensinado a avaliação e manejo de DME de forma integrada com as diversas especialidades e sistematizada para os alunos da graduação.